Adebayor revela que chegou perto de cometer suicídio no começo da carreira

Por GloboEsporte.com — Istambul

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Há três temporadas na Turquia, no Basaksehir, longe dos principais holofotes do futebol europeu, o atacante Adebayor coleciona histórias de quem passou anos entre gigantes europeus como Arsenal, Manchester City, Real Madrid e Tottenham. E o togolês relembrou diversos episódios de suas passagens pelas equipes em longa entrevista ao jornal Daily Mail, publicada nesta sexta-feira. Inclusive, revelou que chegou perto de cometer suicídio.

Adebayor está no Basaksehir há três temporadas — Foto: Getty Images

Adebayor está no Basaksehir há três temporadas — Foto: Getty Images

 

Fazendo uma análise das dificuldades enfrentadas na infância sem luz ou até mesmo um banheiro em Togo, Adebayor apontou que pensou em tirar sua vida pela forte pressão que sentiu no começo de sua carreira.

– Eu tinha 16 anos. Tudo que tentava era ajudar minha família, mas eles me colocavam muita pressão. Eu não pude lidar com isso. Quando uma família é pobre, todos são pobres e há uma enorme solidariedade. As pessoas levariam um tiro por você. Mas quando você faz por um, é como se devesse a todos. No Metz, eu ganhava quase 3 mil libras por mês. Minha família pediu uma casa valendo 500 mil libras. O clube estava cansado pelo meu comportamento. Eu me lembro de sentar na minha cama em uma noite e só pensar: “O que estou fazendo aqui? Ninguém está feliz comigo, então qual a razão de viver?” – lembrou.

Adebayor, entretanto, foi convencido por um amigo. E dali para frente trilhou uma carreira de sucesso.

“Havia uma farmácia embaixo do meu apartamento. Comprei pacotes e pacotes de comprimidos. Eles não queriam me vender, então eu disse que era para caridade em Togo. Eu fiz a preparação, bebi toda a água. Estava pronto para ir, então liguei para meu melhor amigo à meia-noite. Ele me disse para não me apressar, que havia coisas pelas quais viver: “Você tem potencial para mudar a África”. Pensei: “Você é um vendedor de sonhos, eu não vou comprar nenhum agora”. Mas ele me tirou daquele momento. Acho que Deus estava guardando algo”, afirmou o atacante.

Outro episódio de agonia relembrado pelo jogador de 35 anos foi o atentado ao ônibus da seleção de Togo, em 2010, dias antes do começo da Copa Africana de Nações, em Angola. O veículo foi metralhado na fronteira com o Congo por um grupo de guerrilha.

– Como capitão, disse a todos para ligar para as famílias. Liguei para minha namorada e disse a ela: “Ouça, estou perto de partir”. Ela disse: “Ir para onde?”. Ela estava grávida, e eu disse: “Se a criança nascer e for um menino, chame de Emmanuel Junior, se for uma menina, chame de Princess Emannuela. Ela disse: “Do que você está falando?”. E então eu apenas disse: “Eu te ligo depois se estiver vivo” – recordou.

Entre sua trajetória na Europa, Adebayor passou uma temporada emprestado ao Real Madrid, meses depois da chegada de José Mourinho ao comando do time. Contratado por Arséne Wenger no Arsenal, o atacante fez uma comparação entre o estilo dos dois dos principais treinadores do mercado do Velho Continente.

– Um é calmo, e o outro não. Eu lembro de que estávamos perdendo por 2 a 1 e estávamos jogando mal. Thierry Henry estava perturbado. Wenger veio e disse: “Se acalmem, estamos perfeitos, 65% de posse de bola, cruzamos 25 vezes. Thierry estava me falando: “Quem se importa? Estamos perdendo”. Esta é a diferença entre Wenger e Mourinho.

Adebayor atuou ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid — Foto: Getty Images

Adebayor atuou ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid — Foto: Getty Images

Uma das recordações do atacante é um esporro em Cristiano Ronaldo quando o português aparentemente não o merecia.

– No Real, estávamos vencendo por 4 a 0 no intervalo. Ele veio ao vestiário e explodiu. Ele chutou a geladeira, jogou água, esculachou com todos. Uma vez, esculachou Ronaldo depois de um hat-trick, dizendo: “Todos dizem que você é o melhor do mundo, e você está jogando mal. Me mostre que você é o melhor”.

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