Após discussão na Câmara, Medeiros representa contra Aliel Machado no Conselho de Ética

Da Redação - Isabela Mercuri

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O deputado federal José Medeiros (Pode), após se envolver em uma polêmica na Câmara Federal na última quarta-feira (24) com Aliel Machado, do PSB do Paraná, decidiu representar contra o colega no Conselho de Ética da Casa de Leis por ato atentatório ao decoro. Segundo Medeiros, o paranaense ‘falseou informações’ com a intenção de causar revolta popular e denegrir o parlamento.

O desentendimento aconteceu na quarta (24), após citação, por Aliel, de uma matéria da Folha de São Paulo, sobre decisão do governo de Jair Bolsonaro (PSL) oferecer a parlamentares um aumento nas emendas em troca de votos pela reforma da Previdência.

“O Governo ofertou R$ 40 milhões para comprar votos. O Governo está ofertando cargos. O Governo está acertando os deputados. Esta conversa aconteceu na reunião na casa do presidente”, disse o parlamentar paranaense, ao ser interrompido por Medeiros que xingou o colega de vagabundo.

Em seguida, Medeiros partiu para cima de Machado. Ele precisou ser segurado pelos outros deputados, incluindo Nelson Barbudo (PSL). O suplente Victório Galli (PSL) também estava na sessão.

Na quinta-feira (25), Medeiros afirmou, por meio da assessoria, que não houve agressão, e quem disse o contrário queria “fazer proselitismo” e ganhar audiência, o que, a seu ver, foi uma “pilantragem”.

No mesmo dia, então, ele entrou com a representação. Segundo o parlamentar mato-grossense, que é vice-líder do Governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Machado não citou que suas críticas se baseavam na liberação de emendas parlamentares, e induziu o público a acreditar, até mesmo, que se tratava dinheiro público destinado diretamente a parlamentares.

“As acusações feitas pelo deputado Aliel Machado constituem comportamentos incompatíveis com o decoro parlamentar, visto que ele omitiu intencionalmente a informação de que sua fala foi baseada em uma reportagem que citava “emendas parlamentares” e não compra e venda de voto com pagamento de propina, como o deputado afirmou (…) Tais fatos demonstram a gravidade e o desrespeito do deputado Aliel Machado para com seus pares e com as instituições democráticas brasileiras, tendo claramente abusado de sua imunidade parlamentar material, incidindo em quebra de decoro parlamentar”, diz trechos da representação.

Também na quinta-feira (25), durante um discurso, o deputado disse que não vai tolerar que oposicionistas do atual governo, que estiveram totalmente entrelaçados com a corrupção de gestões passadas do PT, manchem a reputação da atual base governista e dos parlamentares que compõem a Câmara Federal neste mandato.

“Muita gente do meio político que devia estar na cadeia sim, mas tem muito pai de família aqui. Tem muita gente decente aqui e eu não aceito que um malandro pegar um microfone desses e vim fazer insinuação que estamos pegando dinheiro para votar aqui. Isso é um desserviço ao parlamento brasileiro”, contrapôs.

Por fim, Medeiros confirmou que ajudou na articulação para aprovação da reforma da previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e realizou várias ligações a parlamentares para argumentar sobre sua importância. Porém, ele garantiu que não houve em nenhuma das discussões que participou qualquer insinuação de benefícios em troca de apoio.

“Passei o final de semana inteiro ligando pra deputado. Participei de todas as reuniões e não houve oferecimento, não houve nada. Mas querem enxovalhar. Com todo respeito ao passado da Folha de São Paulo, ela virou uma espécie de assessoria de comunicação do PT”, criticou.

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